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Uma vida marcada por injustiças: Descaso com Barbosa em 93 repercute entre a torcida do Vasco

Que Moacir Barbosa foi um dos maiores jogadores da história do Vasco, os vascaínos sabem, assim como a culpa que foi imposta sobre ele pela derrota para o Uruguai em 1950, na primeira Copa do Mundo no Brasil. Uma das frases mais famosas do ex-goleiro era que a pena máxima no Brasil era de 30 anos de prisão, mas ele havia cumprido 50 anos de pena. Todos sabemos que sua culpa não era uma falha, afinal todos cometem falhas uma vez na vida ao menos, mas sim a cor de sua pele. Entretanto, uma das últimas injustiças em vida que Barbosa, que faleceu em abril de 2000, sofreu viralizou entre a torcida do Vasco hoje, dia 24 de junho de 2020.


O caso ocorreu no ano de 1993, às vésperas de um novo Brasil x Uruguai, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994. O Brasil fez péssima campanha nas eliminatórias e corria o risco de, pela primeira vez na história, não se classificar para uma Copa do Mundo. A rede britânica de televisão BBC propôs a Barbosa que fosse até o centro de treinamento da Seleção Brasileira em Teresópolis para gravar uma entrevista entre o ex-goleiro e o então titular, Taffarel. A vida do ex-jogador não era boa financeiramente e o cachê pago em dólar iria ajudar bastante o então professor de educação física para senhoras e que foi, por muitos anos, funcionário do próprio Maracanã, palco de sua tragédia pessoal. Porém, ao chegar ao local da gravação, Barbosa foi impedido pelo treinador da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, de falar com Taffarel.

A justificativa dada ao nosso ídolo era de que ele poderia trazer má sorte ou uma influência ruim para Taffarel, além de evitar um suposto burburinho que aconteceria se vissem “fracassado” Barbosa ao lado do goleiro da Seleção que enfrentaria justo o Uruguai, algoz do passado. Barbosa, sempre retratado como um senhor alegre e gentil, gostaria apenas de conversar com o atual detentor da posição que foi sua. Mas este também não pareceu se importar muito com o destrato sofrido pelo já senhor que queria o conhecer, na reportagem é dito que até sentia alívio por escapar do encontro. Gigante como sempre foi, Barbosa apenas desejou boa sorte ao companheiro de profissão, desejando que não passasse pelo mesmo calvário que passou até o fim da vida e dizendo que seria melhor mesmo que Taffarel não o encontrasse, para que não acreditassem que ele desejava agourar o arqueiro.

Defendido por Gérson, que exaltou sua importância na história do futebol brasileiro e classificando a atitude de Parreira como absurda, Barbosa acabou sendo acolhido por Zagallo, então auxiliar técnico de Parreira, que conversou com o ex-adversário dos seus tempos de América e Flamengo e garantiu o cachê prometido.

Após mais esta tristeza, Barbosa mudou-se do Rio de Janeiro, para viver seus últimos anos em um lugar mais distante de onde era sempre lembrado por uma derrota e não pelas inúmeras glórias. Foi viver com sua esposa em Praia Grande, São Paulo. Após o falecimento da esposa em 1997, sofreu mais ainda com dificuldades financeiras, precisando da ajuda de amigos e do Vasco, que lhe pagava cerca de R$ 2000 para pagar seu aluguel e suas contas diárias. Sua filha adotiva, Tereza Borba, cuidou do ídolo até o final de sua vida e cuida de sua memória até hoje, sempre exaltando o grande atleta e ídolo que foi e é, e pede que o Centro de Treinamento do Vasco em construção seja batizado com o seu nome para homenagear o ícone da história do clube que Barbosa é de fato.

Confira abaixo o vídeo que mostra o acontecimento com Barbosa

 

Por: Rick de Castro

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