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Ofendida em 2016 com atos machistas, interprete vascaína que viralizou acredita em evolução: 'As coisas estão ficando diferentes'

Quem é vascaíno, provavelmente recebeu um vídeo nos últimos dias de uma artista cantando uma música do Vasco que viralizou nos grupos de WhatsApp e nas redes sociais: ''Meu nome é Vascão, nasci campeão'' (caso não tenha visto, tem no final do artigo). Interpretada pela cruzmaltina Milena Telhado, a composição de MC Charles, foi divulgada por ídolos, como Felipe, Pedrinho, Edmundo e Roberto Dinamite.

Com esses time de divulgadores, a história não poderia ser diferente: a repercussão foi enorme! Diante disso, o Papo na Colina entrou em contato com a interprete dessa canção para conhecê-la melhor. Vascaína roxa, Milena contou a história dessa música e revelou que ficou muito surpresa com tudo o que aconteceu.



Natural de Barra Mansa, quase formada em arquitetura e com o sonho de viver da música, a cruzmaltina lembrou de momentos marcantes com o seu clube de coração e ainda lembrou de quando foi ofendida em 2016 com atos machistas, depois de publicar uma música do Vasco nas suas redes sociais.

Bate-Bola

Fabio Torres: Como é a história dessa música?

Milena Telhado: Essa é a história que mais gosto de contar. Tenho um grande amigo em Barra Mansa, o Rômulo, que é vascaíno doente e me perguntou: ''você já ouviu a nova música do MC Charles?'' Assim que escutei, percebi que era versão de uma música que eu gosto muito, fiquei apaixonada e cantei. Mandei para o Rômulo e ele me disse que ficou emocionado, sendo que eu nem sabia que ele era amigo do MC Charles e que tinha mandado a música para o compositor da canção. O MC Charles me ligou e fiquei muito surpresa. Me disse que gostou muito, me chamou para alguma parceria e falou para eu fazer um vídeo cantando. Fui na casa desse meu amigo, Rômulo, com minha camisa do Vasco e ele me ajudou a fazer o cenário. Postamos e quando vimos, virou tudo isso! Muita gente vindo falar comigo, me elogiar, jogadores compartilhando, foi muito show.

Fabio Torres: Como chegou nos jogadores?

Milena Telhado: Menos de 24 horas depois de eu publicar a música, me mandaram: ''olha quem compartilhou o seu vídeo!'' Era o Pedrinho e eu fiquei assustada porque ele nem sabia meu meu nome. Agradeci e falei que era música do MC Charles. Depois fui compreendendo o que estava acontecendo, não estava acreditando. Pedi para o Pedrinho falar com o Edmundo compartilhar e o Edmundo compartilhou. O Felipe, eu mandei mensagem e ele falou que postaria. No caso do Dinamite, foi o filho dele que gostou e mostrou para o pai, que postou. Fiquei muito feliz, eu nunca esperava por isso.

Fabio Torres: E como é sua relação com o Vasco? Como começou esse amor pelo clube?

Milena Telhado: Meu amor pelo Vasco começou em 2012, quando eu estava com 14 anos. Fui no meu primeiro jogo, convidada pelos meus amigos e senti muita emoção, nunca tinha ido a um estádio na minha vida e senti a vibração da torcida, todo mundo cantando junto, todo mundo se emocionando e senti muita emoção, sendo que eu nem era tão torcedora naquela época. Fiquei bastante emocionada! Fui pesquisar sobre a história do Vasco e achei linda, a mais bonita do Brasil. Foi a partir daí que eu comecei a comprar camisa, ir nos jogos, vou até sozinha. É um sentimento surreal.



Fabio Torres: Qual é o seu jogo mais marcante?

Milena Telhado: Com certeza foi minha primeira vez no Maracanã, no jogo contra o Botafogo, na final do Carioca de 2016. Nunca tinha visto um estádio tão lotado, fui de Barra Mansa para o Rio de Janeiro de ônibus, todo mundo cantando muito, gritando na estrada. Encontramos um grupo de vascaínos no caminho e fomos juntos até lá. O jogo foi demais, fizemos mosaico, foi uma energia incrível. Nunca tinha me emocionado assim. Foi incrível!

Fabio Torres: Como você vê a inclusão da mulher cada vez mais no futebol?

Milena Telhado: Até um tempo atrás, os estádios de futebol eram vistos como um ambiente para homem, já escutei isso até da minha mãe em algum momento. Mas só que isso tem sido desconstruído. A presença da mulher tem sido mais forte e acho que esse é um ambiente para todo mundo - criança, mulher, gay.

Fabio Torres: Você tem alguma experiência negativa neste contexto?

Milena Telhado: Quando postei um vídeo em 2016, cantando a música ''Ana Júlia'', a repercussão foi legal, mas recebi um monte de mensagem de cunho machista, palavrões, coisas sem necessidade e desrespeitosas. A repercussão do vídeo de agora foi muito mais positiva e não recebi nenhuma mensagem de cunho machista e não sei se me iludo com isso. Mas acho que as coisas estão ficando diferentes. O homem está aprendendo na marra a respeitar e acho isso muito bom. Mulher pode estar onde ela quiser, inclusive dentro dos estádios. Qualquer um pode estar nos estádios, não importa se é homem, mulher ou gay, o que importa é o amor pelo time.

Quais artistas vascaínos que você tem como espelho?

Milena Telhado: Eu amo a Teresa Cristina, amo samba, ela é uma mulher incrível e tenho como inspiração para mim. Acredito que tenha menos visibilidade que merece, porque ela é maravilhosa! Ela chegou a comentar no meu vídeo na postagem do Pedrinho, quase tive um treco. Outro vascaíno que admiro muito é o Aldir Blanc, que nos deixou há poucos dias. Foi muito importante para a história da música brasileira, sempre o admirei e cresci ouvindo as suas músicas.


Confira a canção que viralizou:



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