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[ESPECIAL] - O prejuízo de más escolhas de técnicos para o Vasco

Por: Rick de Castro



Durante quase toda a administração Campello, o Vasco da Gama sofreu com técnicos que chegavam já com grande desconfiança e a certeza de sua demissão em pouco tempo. Treinadores como Alberto Valentim, Jorginho e Abel Braga são alguns exemplos disso. Abel ainda não foi demitido, mas é provável que sua demissão já esteja sendo discutida internamente. Segundo levantamento do UOL, o clube tem a menor média de gols e também o terceiro pior aproveitamento de todos os 20 clubes da série A.

Isso afeta principalmente os jovens jogadores, ainda em formação, e que vêm sendo a maior aposta técnica e financeira do clube nos últimos anos e exemplos disso não faltam, mas nesse texto focaremos em dois jogadores: Andrey e Tiago Reis.

Em 2018, Andrey tinha sido um dos maiores destaques do time, sendo incluído na seleção sub-23 do campeonato e sua venda no ano seguinte era uma certeza. Porém, em 2019, o técnico Alberto Valentim o preteriu para usar jogadores que não rendiam tão bem quanto Andrey no ano anterior e também não seriam vendidos para fora por serem já mais velhos e, em alguns casos, emprestados ao clube. Em 2019 e 2020, outro exemplo desse mesmo cenário é Tiago Reis.

Tiago surgiu em janeiro, sendo o artilheiro do clube na Copa São Paulo com média superior a 1 gol por jogo e um dos responsáveis pelo clube chegar à final, tendo feito gol nas quartas, semi e também na final. O site de estatísticas Footstats fez um levantamento no final do ano passado que mostrava que Tiago era o jogador de ataque mais eficiente do clube em 2019, com 1 gol a cada 4,4 finalizações e o segundo, Maxi López, tinha média de 5,75, porém 3 de seus 4 gols foram de pênalti, o que facilitam uma finalização certa, ao passo que Tiago não bateu nenhum pênalti. No seu começo de trajetória no profissional, chegou a marcar 1 gol por jogo nas suas primeiras 4 partidas no profissional, mas, misteriosamente, parou de ser escalado como titular por Valentim.

Quando Luxemburgo foi contratado, Tiago ainda jogava e foi importante na primeira vitória do time no Campeonato Brasileiro, ao marcar o gol da vitória contra o Internacional. Nesse momento, o técnico ainda utilizava Tiago em sua posição de origem e ia bem. Além desse jogo mencionado, no clássico contra o Botafogo o jogador teve atuação boa, mas não conseguiu concluir em gol, porém fez finalizações perigosas, como um chute na trave em que Gatito Fernandez nada poderia fazer caso acertasse o gol.

Porém, o técnico passou a armar um time apenas reativo, um estilo de jogo que não favorece Tiago, que passou a ser reserva de Ribamar, o atacante menos eficiente do clube no ano, com média de 1 gol a cada 21,5 finalizações. O jogador passou a entrar nos finais das partidas e aquele foi o único gol na competição, em que encerrou com 11 jogos disputados, mas apenas 364 minutos jogados, média de cerca de 33 minutos por jogo, segundo dados do Transfermarket.

Entretanto, o pior estava por vir quando Abel chegou ao clube. Agora, o centroavante eficiente passou a ser escalado como ponta esquerda, em uma posição que não faz o menor sentido para o seu estilo de jogo, já que Tiago não é um jogador rápido ou de drible e sim um jogador que tabela com o ponta, ou meia e busca o chute cruzado ou então receber cruzamentos, outra jogada que lhe favorece. Seria correto avaliar o desempenho de Germán Cano, caso fosse escalado como volante ou meia armador, por exemplo?

Por não contratar treinadores que encaixam com o estilo jogado na base, de toque de bola, ultrapassagens constantes, tabelas, triangulações, e sim treinadores que não parecem preparados ou tem medo de jogar para frente, apenas de estilo reativo, de contra-ataque, o Vasco prejudica o desempenho inicial de seus jovens talentos e a torcida é implacável em determinar que esse jogador jovem não presta. Andrey sofria com isso no ano passado, mas esse já é elogiado por seus antigos detratores, por se destacar quase que solitariamente num ano muito ruim do clube até aqui.

Em contraste, temos o clube equatoriano Independiente Del Valle, um clube pequeno em seu país de origem, mas que, nos últimos 5 anos teve um crescimento incrível, chegando a disputar a final da Libertadores em 2016, eliminando pelo caminho gigantes como Colo-Colo, na fase de grupos, River Plate, nas oitavas, e Boca Juniors, na semifinal. Em 2019, o clube se sagrou campeão da Copa Sulamericana, seu primeiro título, eliminando o Corinthians na semifinal. E, neste ano, foi o campeão da primeira Libertadores sub-20.

O clube tem uma média de idade parecida com a do atual elenco vascaíno, 26,73 anos, e prioriza também a utilização de jovens jogadores. Seu técnico, Miguel Ángel Ramírez, é o responsável por uma equipe bastante ofensiva e propositiva, que fez uma excelente partida contra o Flamengo na ida da Recopa Sulamericana, em que empatou por 2 a 2, perdendo diversas chances claras de gol, mas na volta foram superados por 3 a 0, por um elenco muito mais caro e com jogadores já consagrados.

Todos sabemos a situação financeira grave atual do Vasco, em que atrasos salariais são comuns e a principal saída para isso é a utilização da base para valorização e vendas milionárias, mas, para esse modelo render bem dentro de campo e gerar cifras maiores, é preciso decisões melhores do departamento de futebol nas contratações de treinadores e também para a manutenção do trabalho feito com sucesso na base.

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